UPGRADE DO MACACO
Não se trata de um organismo, grupo ou instituição,
trata-se de um coletivo, pessoas que possuem afinidades intensas,
a desconstrução do mundo depende da maneira
como transformamos nossa consciência e de como nos relacionamos,
como o macrocosmo da vida dentro da mente humana - um microcosmo
mental, a criança: sempre flexível, que tudo
aprende e expande.
O coletivo iniciou seus trabalhos em junho de 2003 e o intuito
foi sempre "ampliar" a visão do homem quanto
a sua pequenez e a sua participação no mundo,
perder a noção do tempo e espaço, não
usar a mente como um
simples receptáculo de memórias e racionalismo,
mostrar que ainda somos crianças no universo (1). Queremos
ultrapassar a idéia de que a tecnologia pode nos suprir
por inteiro, assim como os Maias fizeram. Muitos esquecem
que ela é apenas uma parte de todo o avanço
humano, não é ela que irá nos salvar,
a tecnologia mostra nesse momento que a ilusão pode
ser bem manipulada através da informação:
guerras midiáticas, eventos espetaculares, gossip communication.
Uma volta a idade média onde o mágico era temido,
agora o mágico se mostra pela tecnologia e avança
até a mente pós-humana.
Dentro da nossa sociedade latino-americana (que é nossa
realidade atual), o que queremos é revitalizar os antigos
mitos pagãos enterrados pela produção
de massa.
Compre um santo por 1,99.
Isso é ilusão!
Construa seu santo dentro do coração, viva ele
como um pulsão para a vida!
Isso é realidade!
Experimente conhecer a si mesmo, sem os limites da sociedade
moderna, sem oslimites das instituições regulares,
experimente abrir o coração para as forças
da natureza que sempre estiveram aqui, antes mesmo da nossa
existência, experimente a harmonia. Isso é um
tipo de Zen Budismo pós-humanista: ampliar, sempre
ampliar!
A pintura nas ruas é uma urgência, estamos sedentos
por abrir nossos sentimentos e por isso, onde quer que se
possa mostrar esses sentimentos, esse será o veículo:
muros, postes, espaços abertos e fechados, instituições
ou não, inclusive canais virtuais.
Estamos sedentos para nos tornarmos livres, mas não
através da força, mas através da intuição.
A revolução é sempre interior (Krishnamurti).
Nietzsche dizia que o homem tende a antropomorfizar tudo
ao seu redor, façamos o contrário agora, pois
o homem não passa de um macaco, e o macaco que luta
pela sua sobrevivência tem que realizar um upgrade,
deixar que o fluxo material e imaterial invada sua moradia,
sua casca. Pois o corpo é a passagem, e se é
nele que residimos, por ele atravessaremos uma infinidade
de experiências.
Você veste o vestido para descer e tira o vestido
pra subir (Hermes Trimegistus).
O coletivo nunca se manifestou como um grupo fechado, o motivo
e seu nascimento sempre foi claro, liberdade! Vivemos agora
uma era que quer ultrapassar a ciência, a lógica
e o racionalismo (2), um ciclo que se vai e outro que entra
em plena harmonia com o universo. Como uma força incontrolável
que nos impulsiona para dentro de nos mesmos cada vez mais
e na medida que isso acontece mais conhecemos quem somos,
mergulhamos na nossa essência e nos perdoamos como humanos,
deixamos de estipular regras e penitencias a quem amamos,
acima de tudo experimentamos o limite da consciência,
abrimos as portas para que ABRAXÁS (3) nos esvazie.
Por isso o coletivo sempre foi uma união de forças
múltiplas que surgiram ao longo de uma pequena odisséia
pessoal: Guilherme Pilla e eu (Emerson Pingarilho) um dia
expurgamos nossos demônios decidimos ser nós
mesmos nesse mundo de imitações de realidade.
Por isso o encontro com Geraldo Tavares não foi nada
mais do que destino, a abertura da consciência na trindade.
E na quaternidade alquímica dos seres surge em nosso
caminho Bruno Novelli, a abertura total daquilo que chamamos
de 4D.
Ampliar! Sempre ampliar! E a convergência de consciências
de multiplicou com os amigos Ednilson Rosa (Tinico) e Carla
Chibi. Da mesma maneira
falamos com respeito e devoção de Luis Flávio
(Trampo) e Ale Marder. Como um fractal, as chaves de um coletivo
sempre são intercambiáveis, não existe
estrutura, o que existe é um rizoma, uma irterconexão,
assim também agimos na vida. Não há como
definir arte como instituição mas sim a arte
de viver!
Vivemos o que somos, espíritos livres em comunhão
com o universo, chega de padrões e nomes, chega de
estruturas rígidas, burocracia e demagogia. As formalidades
são apenas isso: formalidades. As ações
no mundo não podem ser definidas como regras mas como
arquétipos.
Elas vem do coração, por isso intuímos
nossas ações.
São ações-paixões.
Continue a viagem,
Ouça som do Um,
A música da esfera
(Hermes Trimegistus).
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